Female Sex and the Cine











{23 de abril de 2010}   Abaixo o amor (ao menos o da donzela chorona)

Uma garota acima do amor

Nada no mundo pode ser tão perigoso quanto uma mulher, já diziam publicações medievais, e digo eu também. Não se sabe ao certo que tenebrosos caminhos pode tomar uma mulher de coração partido. Logo, continuava eu na minha romaria, via crucis, ou, bem, como queira. Estava eu ainda no meu estreito passadiço do sofrer por um pé na bunda.

Peraláné?! Quem chegou a acreditar alguma vez que ouvir uma música fosse o suficiente para se libertar do sentimento de cocô do cavalo branco do príncipe encantado? Mesmo que tivesse Bridget Jones no meio, uma vodikinha, e uma resvista (naturalmente feminina) como microfone… Não adianta! Nem que fosse um clipe do Robbie Willians correndo suado e de cueca, ora preta, ora branca… Nem assim, você se livra com facilidade de continuar sofrendo depois de ser chutada via msn. E como de uma mesma fonte jorram águas doces e amargas, foi pelo próprio msn foi que contei a tragédia a uma grande amiga advogada que está limpando privada de noruegueses em um intercâmbio. Ela me mandou assistir Down With Love (Abaixo o amor) como um médico receita um medicamento e disse: “Menina, vai te deixar mais desligada dessa coisa desesperada de querer o amor e ao mesmo tempo, vai te fazer querê-lo, entende… Só que mais comedidamente e melhor para o coração.”

Óbvio que eu já tinha assistido a esse filme, mas como Heráclito não cala a boca, eu fui assisti-lo de novo. Bom, algumas pessoas garantem sua riqueza comprando barras de outro, eu, por minha vez, costumo confiar o meu tesouro a parcelas de R$ 12,90 nas Lojas Americanas. Assim, em minha prateleira havia um exemplar de Down With Love esperando para ser rodado em meu dvdezinho!

Ora, durante séculos, nós, mulheres, meninas, travestis e afins, temos servido ao patriarcado em generosas doses de nossos arroubos da mulherzinha apaixonada que sofre de amor. A brilhante escritora Barbara Novack nos ensina que não precisamos ser sempre assim. Não precisamos ser as pobrezinhas que choram por amor não correspondido, não realizado, vezes, nem confessado! Abaixo o amor!

Será que nós queremos esse amor desenhado nos romances do século XIX? Ou queremos algo mais condizente com a velocidade de nossos dias, de nossos ideais, de nossos compromissos? Barbara Novack sugere o sexo a la carte. À moda dos solteirões cobiçados, que não se importam em lembrar o número do telefone de inúmeras patas choronas por aí. Precisamos ser mais amazonas e usarmos os homens a nosso bel prazer e depois “matá-los” como fazem as viúvas negras? E será mesmo que nós não queremos esse amor desenhado nos romances do século XIX? É certo que romances de cavalaria levaram Quixote à loucura. Nos levará também?

Novack sugere chocolate! Bom, chocolate aliado ao sexo casual, é claro. Afinal não estamos contrárias ao homem. Valha-me Deus! Mas ao engavetamento. Não quero ser uma boneca de porcelana que alguém põe na estante e expõe orgulhoso. Abaixo o amor, não o amado! É preciso ser rebelde, mas é preciso mais ainda saber até onde se vai com a rebeldia.

Mas Barbara Novack é uma farsa. É, na verdade, Nancy Brown, uma mulher de coração partido. E com Novack, seu livro também se mostra uma farsa, ou meia farsa.       Mulheres não querem ser contrárias ao amor. Elas, nós e eu mesma, não quero odiar o amor, não quero ver-me livre dele, antes, quero reconstruir o sentido do amor pra mim. Quero que ele surja de um convívio e não que o convívio seja perseguido a partir de uma ideia de amor. Uma ideia adoecida e que nunca, de fato, se tornaria real. Quero não o amor imposto às meninas de Austen, mas o amor que se dê na vida, que ache espaço para ser vivido, não alimentado pelo cinema ou literatura, mas alimentado por uma experiência real. Não posso querer encontrar um homem e tentar enfiá-lo no molde de perfeição que tenho para mim. O amor, uma coisa determino, não pode ser uma experiência prévia. Não pode ser coordenado por ideais. Não pode pedir que haja encaixe. Não pode partir de uma ideia coletiva. Ele deve ser peculiar e ajustado. É óbvio que nem todos os caras são Catcher Block e não têm o rosto de Ewan McGregor. Eles são normais e estão por aí com suas particularidades para serem aceitos, ou não, por nós e amados (ou não também).

O amor, talvez seja uma invenção. Mas o prazer de estar junto? Acho que não. Isso é natureza. Abaixo sim, querida Nancy, o amor bobinho das novelas e filmes. Contudo, mantenho-me Barbara, e quero o amor, o amor que eu construirei quando for de construí-lo, não no campo do meu imaginário bem viver. Enquanto isso não acontece posso mesmo é ir de a la carte.

Tenho razão: não há como parar de sofrer só porque se ouviu uma música libertadora. Mas há como parar de sofrer depois de uma música libertadora, um bom filme e alguma reflexão. Isso, no mínimo, te faz respirar mais aliviada. Daqui pra frente, tentar passar cinco segundos sem pensar em Gabriel e parar de escrever sobre dor de cotovelo. Parar de fantasiar (já dizia Bridget) e não esperar que o amor surja, mas surpreender-se com ele quando aparecer. Melhor mesmo que tenha sido menos de uma mês, quanto maior o tempo num relacionamento furado, maior o sofrimento pós pé (na bunda). Ouvir mais Corinne Bailey Rae também deve ajudar.

Oops! Acho que me excedi nos caracteres. Ai, ainda bem que não estou no Twitter.

Roberta Laura, aquela que, se fosse Papa, ia mandar canonizar Renée Zellweger.

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