Female Sex and the Cine











Uma garota acima do amor

Nada no mundo pode ser tão perigoso quanto uma mulher, já diziam publicações medievais, e digo eu também. Não se sabe ao certo que tenebrosos caminhos pode tomar uma mulher de coração partido. Logo, continuava eu na minha romaria, via crucis, ou, bem, como queira. Estava eu ainda no meu estreito passadiço do sofrer por um pé na bunda.

Peraláné?! Quem chegou a acreditar alguma vez que ouvir uma música fosse o suficiente para se libertar do sentimento de cocô do cavalo branco do príncipe encantado? Mesmo que tivesse Bridget Jones no meio, uma vodikinha, e uma resvista (naturalmente feminina) como microfone… Não adianta! Nem que fosse um clipe do Robbie Willians correndo suado e de cueca, ora preta, ora branca… Nem assim, você se livra com facilidade de continuar sofrendo depois de ser chutada via msn. E como de uma mesma fonte jorram águas doces e amargas, foi pelo próprio msn foi que contei a tragédia a uma grande amiga advogada que está limpando privada de noruegueses em um intercâmbio. Ela me mandou assistir Down With Love (Abaixo o amor) como um médico receita um medicamento e disse: “Menina, vai te deixar mais desligada dessa coisa desesperada de querer o amor e ao mesmo tempo, vai te fazer querê-lo, entende… Só que mais comedidamente e melhor para o coração.”

Óbvio que eu já tinha assistido a esse filme, mas como Heráclito não cala a boca, eu fui assisti-lo de novo. Bom, algumas pessoas garantem sua riqueza comprando barras de outro, eu, por minha vez, costumo confiar o meu tesouro a parcelas de R$ 12,90 nas Lojas Americanas. Assim, em minha prateleira havia um exemplar de Down With Love esperando para ser rodado em meu dvdezinho!

Ora, durante séculos, nós, mulheres, meninas, travestis e afins, temos servido ao patriarcado em generosas doses de nossos arroubos da mulherzinha apaixonada que sofre de amor. A brilhante escritora Barbara Novack nos ensina que não precisamos ser sempre assim. Não precisamos ser as pobrezinhas que choram por amor não correspondido, não realizado, vezes, nem confessado! Abaixo o amor!

Será que nós queremos esse amor desenhado nos romances do século XIX? Ou queremos algo mais condizente com a velocidade de nossos dias, de nossos ideais, de nossos compromissos? Barbara Novack sugere o sexo a la carte. À moda dos solteirões cobiçados, que não se importam em lembrar o número do telefone de inúmeras patas choronas por aí. Precisamos ser mais amazonas e usarmos os homens a nosso bel prazer e depois “matá-los” como fazem as viúvas negras? E será mesmo que nós não queremos esse amor desenhado nos romances do século XIX? É certo que romances de cavalaria levaram Quixote à loucura. Nos levará também?

Novack sugere chocolate! Bom, chocolate aliado ao sexo casual, é claro. Afinal não estamos contrárias ao homem. Valha-me Deus! Mas ao engavetamento. Não quero ser uma boneca de porcelana que alguém põe na estante e expõe orgulhoso. Abaixo o amor, não o amado! É preciso ser rebelde, mas é preciso mais ainda saber até onde se vai com a rebeldia.

Mas Barbara Novack é uma farsa. É, na verdade, Nancy Brown, uma mulher de coração partido. E com Novack, seu livro também se mostra uma farsa, ou meia farsa.       Mulheres não querem ser contrárias ao amor. Elas, nós e eu mesma, não quero odiar o amor, não quero ver-me livre dele, antes, quero reconstruir o sentido do amor pra mim. Quero que ele surja de um convívio e não que o convívio seja perseguido a partir de uma ideia de amor. Uma ideia adoecida e que nunca, de fato, se tornaria real. Quero não o amor imposto às meninas de Austen, mas o amor que se dê na vida, que ache espaço para ser vivido, não alimentado pelo cinema ou literatura, mas alimentado por uma experiência real. Não posso querer encontrar um homem e tentar enfiá-lo no molde de perfeição que tenho para mim. O amor, uma coisa determino, não pode ser uma experiência prévia. Não pode ser coordenado por ideais. Não pode pedir que haja encaixe. Não pode partir de uma ideia coletiva. Ele deve ser peculiar e ajustado. É óbvio que nem todos os caras são Catcher Block e não têm o rosto de Ewan McGregor. Eles são normais e estão por aí com suas particularidades para serem aceitos, ou não, por nós e amados (ou não também).

O amor, talvez seja uma invenção. Mas o prazer de estar junto? Acho que não. Isso é natureza. Abaixo sim, querida Nancy, o amor bobinho das novelas e filmes. Contudo, mantenho-me Barbara, e quero o amor, o amor que eu construirei quando for de construí-lo, não no campo do meu imaginário bem viver. Enquanto isso não acontece posso mesmo é ir de a la carte.

Tenho razão: não há como parar de sofrer só porque se ouviu uma música libertadora. Mas há como parar de sofrer depois de uma música libertadora, um bom filme e alguma reflexão. Isso, no mínimo, te faz respirar mais aliviada. Daqui pra frente, tentar passar cinco segundos sem pensar em Gabriel e parar de escrever sobre dor de cotovelo. Parar de fantasiar (já dizia Bridget) e não esperar que o amor surja, mas surpreender-se com ele quando aparecer. Melhor mesmo que tenha sido menos de uma mês, quanto maior o tempo num relacionamento furado, maior o sofrimento pós pé (na bunda). Ouvir mais Corinne Bailey Rae também deve ajudar.

Oops! Acho que me excedi nos caracteres. Ai, ainda bem que não estou no Twitter.

Roberta Laura, aquela que, se fosse Papa, ia mandar canonizar Renée Zellweger.

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"You have no messeges"

Bem, depois de chegar em casa escoltada pelo porteiro do prédio, dormi sem pestanejar. Mesmo vomitada, suja-imunda, e com as unhas dos pés e das mãos em estado de calamidade pública (Ai, Niterói! Meus votos!). Eu não tinha forças para lavar-me. Apaguei e só me dei conta de minha existência por volta das 18:00h.

Depois de um banho digno da Igreja Universal, de um bom paracetamol (a cabeça me castigava) e de algo de comer, me sentei diante do computador. Eu estava tão mal, que só o Youtube poderia me salvar. Eu tava  mesmo precisando era de Maria do Bairro. Gente, quando a coisa tiver intensa pro seu lado, dá uma assistida na Maria; logo, logo, você vai se sentir bem: senão for porque ela é mais desgraçada que você (o que é via de regra, sempre), vai ser por causa da delícia que é o Luiz Fernando, ou ainda por rir com Soraya Montenegro (Adooro!).

E de “Mucha honra” pra cá, “Pa poder comer” pra lá,  surgiu entre os vídeos relacionados um gracejo dos novos clássicos do cinema. Lá estava uma outra que podia me salvar, me deixar tranquila e, ainda, esperançosa de que tudo podia melhorar. Clickei no link do vídeo em que Bridget Jones interpreta “All by myself” (By Celine Cabaret Dion).

Pela enézima vez, fiquei maravilhada com aquilo e as lágrimas, é claro, foram inevitáveis. Peraláné?! É emoção que não tem fim: Bridget Jones+All by myself+ressaca+pé na bunda… Me vi cantando e gritando e pertubando os vizinhos do meu andar. Não queria nem saber!

All by myself sempre foi vista com maus olhos, como música depressiva pra se jogar da ponte, mas, agora, dela me vinha uma energia que não tinha tamanho. De repente eu me sentia como a mais poderosas das mulheres: eu era Lady Di, Satine, Cinderella, Maria do Bairro, enfim, eu era Bridget Jones cheia de planos para uma nova vida. Toda estimulada pela música que provavelmente nunca estimularia ninguém a nada.

Bridget mudou a canção, Bridget influenciou uma década, Bridget mudou minha vida naquele dia semi moribundo. E ao invés de querer morrer por estar absurdamente “All by myself”, eu só queria comemorar esse feito. Grande feito. Eu estava só. Era minha. Só minha. Só pra mim! Ao menos, até que apareça o primeiro par de calças… Não sou de ferro!

Foi que baixei a música e quase fiz do meu prédio um Palace III com meu som. Ninguém reclamou. Vai ver tava todo mundo na merda e aproveitando minha música para expulsar os demônios dos relacionamentos fragmentados. Ai, louvo ao nome do Senhor por ter ungido a Renée Zellweguer. Gente, sem dúvidas: essa mulher é uma enviada de Deus. Claro que antes de todo o botox, o que a deixou um tanto demoníaca…

Não demorou nada pra que eu estivesse dançando pelo quarto feito uma doida varrida, varrida e remida, redimida, limpa, pronta pra mim. Afinal, o que são marcações de datas na vida da gente? Se nenhum homem fica mais de 1 mês comigo, o problema é deles e não meu. Eu sou divina! Rainha! E agora tenho até blog do WordPress e Twitter…

Roberta Laura, uma dozenla que acaba de descer da torre.

P.s.: Caso alguém queira um ‘cado de maravilha na vida: http://www.wayn.com/waynvideos.html?video=29084326&wci=watch

Trata-se de Bridget Jones em sua performance de “All by myself”.



A doce desilusão do entorpecente...

É bem verdade que Christiane F. não foi uma das mulheres mais glamourosas do cinema. Talvez por se tratar de uma mulher de verdade ou porque seu modo de vida não tenha contribuído para isso. Contudo, foi ela a minha porta de entrada para o mundo glam das rainhas da pipoca.

Era um sábado à noite desses em que um amigo gay te convence de que a única solução pros seus cavernosos problemas é ir com ele a uma de suas boates, beber muita vodka e vinho baratos e dançar até fazer bolhas nos pés. Então!

Eu tinha todos os motivos para ir a um lugar como aquele: um dia antes de eu, finalmente, completar 1 mês de namoro, o Gabriel, o namorado, manda uma mensagem off-line por meu msn: “Me perdoe Rô. Eu ñ queria ti maguar. Eh que eu ñ to pronto prum relassionamento assim mais serio. Que vc encontre algum cara que ti merece mais do que eu.” Peste! (Embora eu seja uma pessoa super antenada e saiba que o gênero Internet pede uma linguagem menos formal e também que esse negócio de certo ou errado em língua é coisa da vovó, não pude deixar de me apegar aos seus erros de ortografia e pontuação. Peraláné?! Eu precisava me apegar a alguma coisa que me fortalecesse!)

Lá estava eu bebendo. Enchendo minha cara de vodka pura com gelo. Já nem sabia mais de mim. À alguma altura da noite, o Guih – a bixa irresponsável que eu chamo de amigo -, se agarrou com um cara de dois metros e esqueceu de mim no meio daquele monte de gente colorida dançando música house.

Foi um copo atrás do outro e eu já ia perdendo minha razão. Quando vi os Teletubies num móbile pendurado no globo espelhado, descobri! que era a hora de parar de beber, mas veja só!, acho que era tarde…

Tudo pareceu rodar à minha volta, comecei a salivar e fechei os olhos. Expeli, no chão da boate, tudo o que tinha bebido, parte do meu fígado e mais alguma coisa que, Graças a Deus!, não consegui identificar. As pessoas me olhavam com cara feia. E não era pra menos! Mas eles não entendiam, eu não conseguia manter uma vida amorosa. Ah, Márcia (Goldschmidt, gente!), eu não conseguia ultrapassar a barreira de 1 mês namorando o mesmo cara.

Tava (TA!) brabo pro meu lado e eu precisei beber pra esquecer daquilo. Engano cruel! Minha situação piorou ainda mais. Bêbada, vomitada, desiludida. Será que os contos de fadas jamais tornariam a ser escritos? Eu estava condenada a não passar mais que um mês ao lado de um mesmo homem que não fosse o Guih? Pobre de mim! Lançaram uma uruka! Só pode.

Resolvi, se é que eu estava em condições de resolver alguma coisa, ir embora. Não procurei a bicha e fui cambaleando e vomitanto pelas esquinas do Rio de Janeiro. Aí, que me perguntei por que a minha vida não era como a vida das mulheres do cinema. Mas lembrei de uma, em especial, cuja a vida muito se parecia com a quele momento pavoroso de mim. Achei, sem força de continuar a peregrinação, de me deixar cair naquele chão, num perfeito remake da de treze anos, tresloucada e varrida, Christiane F..

É claro que cheguei em casa! E não preciso contar sobre a ressaca. Nada que tenha durado para sempre. Posso não ser uma deusa do glamour, mas sei ser forte quando preciso, ta?! Dentro em breve, eu estaria pronta para outra.

Roberta Laura, aquela que elevou “All by my self” ao topo de seu Last.Fm.



{19 de abril de 2010}   Gloss! Saltos! Ação!

Luxuosa boneca: a diva "pretender"

Ninguém nega que as mulheres do cinema sejam grande fonte de glamour no ocidente pós-moderno.  Holly Golightly, Scarlet O’Hara, Cinderella ou irrevogavelmente Bridget Jones. Fontes de inspiração para muitas de nós, essas mulheres também são humanas; só pude perceber isso quando olhei para muitas delas e percebi algo que se assemelhasse a mim mesma, a mulher menos acertada do mundo. Sendo assim, me dei conta de que elas não são perfeitas, afinal vi nelas algo de mim.

Esse blog nasce daí: do instante em que percebi a humanidade presente nessas deusas imortais da projeção. Aqui se fala da fenda encontrada na perfeição. Nem tudo, ou nada, é perfeito. Principalmente quando falamos no ser humano em sua complexa manifestação: a mulher.

Para provar que não estamos (nós que somos mortais) arruinadas, uma vez que mesmo as rainhas têm calos, é que vim. A partir de um intensivo workshop de minha própria vida, desmistificarei as pérolas e o pretinho básico da Bonequinha de Luxo, bem como os lindos cachos vermelhos de uma certa Linda Mulher. Elas, as idolatradas deusas da tela grande, são como nós: mulheres normais; só que cheias de maquiagem, cabelos muito bem trabalhados e roupas desenhadas por Channel, D&G, Gucci e Prada. Depois do pancake e do hairspray não passam de mulheres como eu e você.

Seja bem vinda ao lugar onde os saltos quebram, meias desfiam e mulheres continuam tão mulheres e tão divinas como sempre foram.

Providenciemos um bom chocolate, uma garrafa de vodka, lenços de papel e bom filme!



et cetera